A colaboração entre Tame Impala e JENNIE se tornou uma das histórias mais marcantes de cruzamento entre gêneros em 2026. “Dracula” deixou de ser uma faixa de pop alternativo com atmosfera psicodélica e passou a funcionar como um grande sucesso internacional de rádio. A música chegou ao primeiro lugar da parada Radio Songs da Billboard, com data de 26 de setembro, dando aos dois artistas sua primeira liderança nesse ranking.
O resultado chama atenção porque Tame Impala e JENNIE vêm de universos musicais bastante diferentes. Tame Impala é o projeto do músico e produtor australiano Kevin Parker, conhecido por combinar rock psicodélico, texturas eletrônicas e pop construído em estúdio. JENNIE, por sua vez, é integrante do BLACKPINK e uma artista solo de alcance global, associada ao K-pop, ao hip-hop e ao dance-pop.
“Dracula” não começou como um dueto tradicional. Tame Impala lançou a versão original como uma faixa solo em outubro de 2025. Em fevereiro de 2026, surgiu o remix com os vocais de JENNIE. A nova versão preservou a produção nebulosa e noturna de Parker, ao mesmo tempo que acrescentou uma presença vocal capaz de apresentar a música a novos públicos.
O título remete ao horror, mas o apelo da faixa não depende apenas dessa imagem. A ideia de fugir do sol como Dracula cria uma cena fácil de memorizar, enquanto a produção mistura guitarras, sintetizadores e ritmos dançantes. As diferenças entre os artistas não foram escondidas; elas se tornaram parte da personalidade da música.
A composição também levou tempo para encontrar sua forma final. A compositora Sarah Aarons contou que diferentes ideias foram reunidas até formar a canção definitiva. Uma frase de uma composição anterior foi combinada com o conceito de “Dracula” e se transformou em um dos elementos centrais da faixa. Parker e JENNIE escreveram a música com Aarons e Carly Gibert, enquanto Parker ficou responsável sozinho pela produção.
Essa origem ajuda a explicar por que a canção combina contemplação e impacto imediato. A melodia tem um caráter introspectivo, mas a repetição da frase principal e a batida definida dão à faixa uma estrutura pop acessível. A interpretação de JENNIE é controlada e precisa, mas preserva o clima levemente surrealista da produção.
O primeiro grande impulso veio da internet e das plataformas de vídeos curtos. Muitas músicas recebem atenção repentina nesses ambientes e desaparecem pouco depois. “Dracula”, porém, conseguiu ir além da viralidade momentânea. Depois de voltar a circular online, a faixa continuou crescendo nas rádios e em paradas de diferentes estilos.
De acordo com a Luminate, “Dracula” registrou uma audiência estimada de 62,6 milhões de impressões radiofônicas nos Estados Unidos durante o período de acompanhamento de 11 a 17 de setembro. A Radio Songs acompanha o desempenho em vários formatos de rádio americanos. Por isso, o primeiro lugar representa um alcance amplo, e não apenas o sucesso em um segmento musical específico.
As outras paradas da Billboard reforçam essa dimensão. “Dracula” voltou ao quinto lugar da Hot 100, igualando seu melhor resultado anterior e garantindo o primeiro Top 10 de Tame Impala e JENNIE nessa lista. A música também ficou em primeiro lugar na Hot Dance/Electronic Songs pela 37ª semana e na Hot Rock & Alternative Songs pela 19ª semana.
O desempenho nos formatos de rádio também foi expressivo. Segundo a Billboard, a faixa liderou a Adult Pop Airplay pela nona semana. Antes disso, havia passado sete semanas no topo da Pop Airplay e duas semanas na liderança da Alternative Airplay. Além disso, alcançou o segundo lugar na Adult Alternative Airplay e entrou no Top 15 da Adult Contemporary.
Para JENNIE, o resultado representa um avanço importante em sua carreira solo. Antes de “Dracula”, ela havia aparecido na Radio Songs com “One of the Girls”, parceria com The Weeknd e Lily-Rose Depp que chegou ao número 48 em 2024. A nova colaboração amplia de maneira significativa sua presença nas rádios americanas.
A permanência da música na Hot 100 também estabeleceu um recorde. Em setembro, “Dracula” ficou na sexta posição e levou a sequência de JENNIE no Top 10 a 16 semanas. Com isso, superou o recorde anterior de “Butter”, do BTS, que permaneceu 15 semanas nessa faixa da parada.
Para Tame Impala, o sucesso representa uma nova etapa na relação entre a música psicodélica e o pop de massa. Kevin Parker já havia trabalhado como compositor e produtor em grandes projetos pop, mas “Dracula” coloca diretamente o nome Tame Impala no centro de uma grande conquista radiofônica.
A presença de JENNIE também ajuda a faixa a circular por diferentes mercados internacionais. Seu público na Coreia do Sul e em outros países asiáticos se combina com a audiência global do Tame Impala. O resultado não é apenas um encontro entre duas bases de fãs, mas uma canção capaz de alcançar ouvintes que não acompanham regularmente nenhum dos dois artistas.
“Dracula” mostra que as fronteiras entre gêneros funcionam cada vez mais como passagens do que como barreiras. Um projeto psicodélico pode criar um número um de rádio ao lado de uma estrela do K-pop, enquanto a música continua claramente identificável como uma produção do Tame Impala.
Por isso, a trajetória da faixa é maior do que a surpresa provocada pela parceria. Ela começou como uma gravação solo, ganhou uma nova forma com o remix, voltou a chamar atenção na internet e depois se consolidou como um sucesso duradouro nas rádios.
“Dracula” já ocupa um lugar importante no cenário pop global de 2026. Sua trajetória mostra que um conceito sombrio, um refrão forte e uma colaboração entre culturas musicais diferentes podem levar uma música a vários formatos e ao topo das principais paradas mundiais.